Arquitetura Igreja católica

Projeta a Igreja Paroquial das Águas, concelho de Penamacor (1949-1957)

1949

Arquitetura
Instala o primeiro atelier na Rua Rodrigo da Fonseca, em Lisboa, com os arquitetos Chorão Ramalho, Alzina de Menezes e Manuel Tainha e os engenheiros Ernesto Borges e José de Lucena (1949-1957)
 
Arquitetura Associativismo
Inscreve-se no Sindicato Nacional dos Arquitetos, sócio nº 132
 
Arquitetura Formação
Completa o Curso de Arquitetura na Escola Nacional de Belas-Artes, em Lisboa (19 abril)
 
Arquitetura Igreja católica
Projeta a Igreja Paroquial das Águas, concelho de Penamacor (1949-1957)

1950

Arquitetura Habitação Igreja católica
Organiza o primeiro inquérito feito em Portugal sobre as condições de utilização de edifícios plurifamiliares, no âmbito de um curso da Juventude Universitária Católica (JUC) da Escola Nacional de Belas-Artes, Lisboa
 
Arquitetura Habitação
Projeta o Conjunto de casas de renda económica em Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira. Com Manuel Costa Martins (não construído)
 
Arquitetura
Projeta o Edifício de habitação, escritórios e comércio em Lisboa (não construído)

Primeira igreja moderna, e um dos primeiros projetos de um jovem autor para quem a linguagem arquitetónica sempre andou a par com a renovação dos programas e o empenho cívico”. É assim que Ana Tostões abre o capítulo sobre a Igreja Paroquial de Águas na coletânea “Arquitetos Portugueses”.

Nesta conjuntura germina o projeto da Igreja de Águas (1949-1957), onde Teotónio Pereira procura compor um espaço significativo, usando as ferramentas da racionalidade e da funcionalidade modernas, mas integrando a expressão como mais uma função. Não adota nem a conceção linear e simplista do Movimento Moderno mais ortodoxo (Estilo Internacional), nem qualquer laivo de cedência a um tradicionalismo revivalista.

Neste projeto, Nuno Teotónio Pereira põe em prática os princípios modernos e algo que marca toda a sua obra, a importância dos artistas plásticos na intervenção.

Diga-nos, senhor arquitecto Nuno Teotónio Pereira; sabemos que a Igreja das Águas de que V. Exª. é arquitecto, tem dado que falar pela novidade. Poderá dizer-nos por que usou tal arquitectura?

Deixe-me dizer-lhe que a sua expressão não é muito correcta: a gente não usa uma determinada arquitectura como quem escolhe uma marca de automóveis; não se trata de uma preferência, ou de uma escolha de ocasião: a arquitectura que cada um faz em certo momento é a que tem de ser. Sendo consciente e intencional, não é contudo premeditada. Há pessoas que supõem que o arquitecto, ao fazer o plano de uma igreja, pode escolher o românico, o gótico, o clássico ou… o moderno! É claro que o resultado deste processo de escolha não seria uma criação artística, mas a adopção de um figurino; e isto é o que se tem visto acontecer, mesmo quando se escolhe o moderno. A questão é que, como o homem tem necessidade de chamar nomes às coisas, se convencionou designar por moderno o que é simples e autêntica criação artística – e esta, para o ser, é necessariamente moderna; e tem-no sido em todas as épocas, como o disse o Cardeal Patriarca de Lisboa, a propósito da igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa: «Todos os estilos foram modernos no seu tempo».

Encontra-se V. Exª. satisfeito com a realização e com a reação do público?

Parece que, em regra, os autores não ficam inteiramente satisfeitos com as suas obras; é o que acontece neste caso, e por bem fortes razões: o projecto foi feito há perto de 8 anos, mal tinha eu acabado o curso. Revela por isso alguma inexperiência e manifesta uma certa falta de unidade (por exemplo entre a torre e o edifício propriamente dito). Quanto à reação do público – disso nada sei, que não sejam meras suposições. A prova real só poderá ser feita passados alguns anos, e a igreja ainda nem sequer está aberta ao culto. Mas, por mim, não tenho dúvidas de que essa reação, vencido o período de adaptação indispensável, será favorável.” (PEREIRA, Nuno Teotónio. “A Igreja das Águas integra-se no grande Movimento Renovador tanto no plano artístico como no religioso”. Entrevista de António dos Reis. Notícias da Covilhã, 10 jan. 1959).


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