Evento Homenagem

Inauguração do Memorial “Janelas da Liberdade”

No mesmo dia 30, ao fim da manhã, teve lugar a inauguração do Memorial “Janelas da Liberdade”, um elemento escultórico azulejar constituído por um conjunto de oito painéis, lembrando a ditadura e a conquista da liberdade.

Num dos lados, mostra-se um diálogo entre detalhes de desenhos feitos por Nuno Teotónio Pereira, durante a sua última prisão em Caxias (1973/1974), para um novo edifício (não construído), e os desenhos de janelas da artista plástica e mulher do Nuno, Irene Buarque.

No outro lado, lê-se um excerto do primeiro discurso em liberdade feito por Nuno Teotónio Pereira, no 1º de Maio de 1974, no Estádio que recebeu esse mesmo nome:

Vamos construir uma sociedade onde não haja mais aparelhos repressivos, (…) onde não haja entraves à liberdade de pensamento; onde a realização de uma vida pessoal passe pela construção de uma sociedade nova”.
“Nós devemos desejar isso, nós temos de lutar por isso, não nos podemos contentar com meias soluções: nós temos que ir até ao fim!

Tomaram a palavra durante a cerimónia, que congregou também muitas pessoas de várias gerações, o Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, Tomás Gonçalves, Tiago Montepegado em nome da Galeria Ratton, Irene Buarque, e o Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

A artista plástica resumiu posteriormente a sua intervenção:

“A galeria Ratton, como parte das comemorações do Centenário do Nuno Teotónio Pereira, em 2022, repôs a exposição que apresentei em 2002, ‘Geometrias Variáveis’.

Desafiou-me a juntar a sequência que eu tinha feito de oito Janelas Tapadas e só geométricas,(inspiradas nas fotografias que fui tirando desde 1973 em Lisboa, Alentejo e Algarve), a desenhos do Nuno.

Lembrei então dos desenhos por ele feitos na prisão de Caxias em 1973/74, no seguimento das palas que tinha criado nas janelas do edifício “Franjinhas” de 1972, na R. Braamcamp em Lisboa.

Em Caxias o Nuno só tinha um bloco de papel vegetal, um lápis, seis marcadores e um pequeno esquadro. Destes estudos utilizei três, e depois de ampliados, fui escolhendo detalhes e cores que encaixassem perfeitamente nos fundos e nas cores das molduras de seis janelas centrais. O resultado deu para vermos traços a lápis e, nas cores, as texturas dos marcadores usados até ao seu limite.

Com o acréscimo desses elementos exteriores, as Janelas Tapadas passaram a ser JANELAS de LIBERDADE, dando origem a este Memorial hoje, dia 30 de janeiro de 2026, inaugurado!”